Quando a alegria pede passagem e vira motor da economia criativa
- milenaapedrosa
- 13 de fev.
- 5 min de leitura

Do bloquinho de bairro aos desfiles monumentais, mostramos como investir na festa é garantir renda, cultura viva e sustentabilidade na prática
Quem disse que Carnaval é só confete e descanso prolongado precisa olhar com mais atenção para os números que dançam na nossa frente. A folia é uma das maiores manifestações culturais do planeta e também uma máquina poderosa de gerar oportunidades: em 2025 a Confederação Nacional do Comércio projetou um faturamento de cerca de 12 bilhões de reais no país apenas com os quatro dias oficiais da festa momesca.
Estamos falando de uma engrenagem que move turismo, serviços, bares, hotéis e transporte com uma força impressionante. Para se ter uma ideia do ritmo acelerado desse crescimento, em 2024 o movimento foi de 9 bilhões de reais e a tendência segue de alta.
As capitais da folia dão um show à parte nos balanços financeiros e Minas Gerais assumiu o protagonismo desse enredo com maestria. Segundo a Agência Minas, o estado fez história em 2025 ao colocar 13,2 milhões de foliões nas ruas, com 6 milhões de pessoas vibrando apenas em Belo Horizonte, números que confirmam a festa mineira como uma potência absoluta de turismo e geração de renda: quase R$ 6 bilhões foram movimentados nos territórios mineiros durante o carnaval.
A capital carioca também brilhou e viu o Carnaval de 2023 movimentar 4,5 bilhões de reais na economia local, sendo que 1,2 bilhão veio apenas da energia contagiante dos blocos, segundo dados da prefeitura. Salvador, de acordo com o governo da Bahia, manteve o ritmo lá em cima e projetou cerca de 2 bilhões de reais circulando em 2024 ao receber mais de 800 mil turistas apaixonados. Já São Paulo provou que a terra da garoa tem muito samba no pé e injetou 6,7 bilhões de reais na economia estadual em 2025, com uma circulação impressionante de passageiros pelos aeroportos, segundo informações oficiais do governo estadual.
O retorno financeiro que faz a festa brilhar ainda mais
Quando falamos em retorno econômico estamos de olho em quanto dinheiro volta para a sociedade em forma de renda, impostos e empregos a partir de cada real investido. É uma matemática que dá gosto de ver. Estudos em alguns estados indicam que cada 1 real aplicado no Carnaval local pode se multiplicar e gerar de 4 a 7 reais de retorno para a cadeia produtiva. Quem ganha com isso são os pequenos negócios de gastronomia, lazer e serviços que veem o faturamento disparar.
O dinheiro circula como serpentina no ar. O investimento entra em um ponto da festa e se espalha pagando o cachê do artista, o aluguel do som, a costura da fantasia, o açaí da esquina e o motorista de aplicativo. Para este Carnaval de 2026 a Confederação Nacional do Comércio estimou uma movimentação superior a 14 bilhões de reais e a criação de cerca de 40 mil vagas temporárias. É a prova definitiva de que a alegria também paga boletos e garante o sustento de milhares de famílias brasileiras.
A criatividade como comissão de frente
A economia criativa é o enredo principal dessa história e tem como matéria-prima a imaginação humana. É o talento de quem desenha fantasias, compõe as marchinhas que não saem da cabeça, projeta alegorias grandiosas e organiza a logística dos blocos. No Carnaval essa economia ganha o seu maior palco e coloca artistas independentes, costureiras, grafiteiros e coletivos das periferias sob os holofotes.
No Rio de Janeiro, um único dia de desfile no Sambódromo mobiliza um exército de 20 mil pessoas trabalhando oficialmente. São profissionais de montagem, operação e serviços que fazem o espetáculo acontecer. Eventos desse porte ajudam a manter a roda girando o ano inteiro em setores como turismo e alimentação, pois sabemos que a preparação começa muito antes do primeiro repique de tamborim.
Uma vitrine nota 10 para a sustentabilidade
O Carnaval também pode abrir alas para marcas que querem mostrar suas iniciativas de impacto social e ambiental na prática. Patrocinar a folia vai muito além de colocar a logo no abadá. Grandes organizações têm a chance de investir em ações concretas que deixam um legado positivo.
Podemos citar programas de reciclagem massiva nas áreas de festa e a contratação de cooperativas de catadores com remuneração justa e digna. Também entram nessa lista o incentivo ao transporte coletivo para reduzir emissões de carbono e campanhas educativas sobre respeito, diversidade e combate à violência. Quando essas ações são construídas junto com as comunidades e o poder público, o patrocínio vira cuidado com o território e gera uma conexão verdadeira entre a marca e o folião.
Para que essa engrenagem seja verdadeiramente sustentável, o olhar precisa ir além da gestão de resíduos e alcançar a circularidade e a inclusão. Isso significa incentivar o reuso de materiais e garantir o bem-estar do folião com pontos estratégicos de hidratação. No pilar social, a acessibilidade deixa de ser um detalhe para se tornar premissa: blocos como o 'Todo Mundo Cabe no Mundo', em Belo Horizonte, e a escola de samba 'Embaixadores da Alegria', no Rio de Janeiro, são exemplos potentes de como a folia se fortalece ao acolher a diversidade. Com intérpretes de Libras e infraestrutura para pessoas com deficiência, eles provam que o Carnaval só é sustentável quando é, de fato, um território de todos.
Festivais que sacodem cidades pelo mundo
O impacto transformador do Carnaval brasileiro encontra eco em grandes festivais ao redor do globo. Em Edimburgo os festivais de verão movimentam quase 500 milhões de libras por ano e sustentam mais de 8 mil empregos. Já em Londres o famoso Notting Hill Carnival alcança um impacto estimado em 493 milhões de libras.
Esses exemplos mostram que festas populares bem geridas posicionam as cidades no mapa global e atraem visitantes. Elas são laboratórios perfeitos para empresas e governos testarem novas formas de compromisso social e ambiental enquanto todo mundo se diverte.
Essa visão estratégica não termina na quarta-feira de cinzas. O Carnaval é o maior laboratório de rua do planeta para o que hoje define o sucesso de grandes festivais e do ecossistema global de eventos: a capacidade de gerar valor para a 'ponta'. Quando olhamos para a festa como um ecossistema vivo, o impacto positivo precisa chegar ao vendedor ambulante, ao pequeno produtor local e à infraestrutura da cidade que acolhe o público. Sustentabilidade em eventos, hoje, é garantir que o legado socioeconômico e ambiental permaneça no território muito depois que os refletores se apagam e o som silencia. É entender que um evento só é grandioso se ele fortalece a rede que o sustenta
Como a a-gente entra nesse bloco
A a-gente nasceu exatamente nesse cruzamento entre cultura, turismo e impacto positivo. Nossa atuação dialoga com as tendências globais de festivais e nossa experiência conecta narrativas locais com o mundo. Enxergamos o Carnaval e outras festas populares como oportunidades vivas para criar novas políticas e modelos de parceria que olham além do lucro imediato.
Ser uma consultoria viva significa estar presente no asfalto e nos bastidores. É escutar quem faz a festa, traduzir dados econômicos em histórias potentes e ajudar marcas a desenharem ações que deixem saudade e legado. É onde a euforia do Carnaval encontra a estratégia de quem pensa o desenvolvimento a longo prazo.
Um convite para cair na folia com responsabilidade
O Carnaval é, antes de tudo, um convite irrecusável. Ele chama o corpo para dançar e a cidade para se reinventar. Mas também convida empresas e gestores a assumirem um papel de protagonistas nesse enredo de desenvolvimento.
Cada investimento feito com inteligência na cultura popular volta multiplicado em autoestima, identidade e futuro. Quando a quarta-feira de cinzas chega, fica a memória boa e a certeza de que aprendemos um pouco mais sobre como construir um país melhor.
Que a cada batida de surdo a gente se lembre que não existe economia forte sem gente pulsando e ocupando a rua. Nisso o Carnaval segue sendo professor e dando aula para o mundo inteiro. Bom Carnaval!



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